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Gestão e Conservação de Sobreirais Serranos: O Caso da Serra do Caldeirão 4.00 (1 Voto )
de ERENA, Associação de Defesa do Património de Mértola, Associação dos Produtores Florestais da Serra do Caldeirão, In Loco, Centro de Ecologia Aplicada Baeta Neves-ISA

Idioma principal do documento: Português


Resumo em Português: O conceito da floresta com um mero recurso a explorar tem vindo a alterar-se ao longo dos anos. Actualmente, a floresta é vista num plano multifuncional e de pluriactividades o que permite fazer uma gestão sustentável dos recursos por ela fornecidos. Neste contexto, a floresta pode continuar a fornecer madeira e outros valores, enquanto a biodiversidade é mantida podendo mesmo investir-se na conservação de espécies florestais. A cortiça é um recurso intensamente explorado nas florestas da região Mediterrânica. Este produto é frequentemente visto como um aliado da conservação da Natureza, sendo quase um símbolo do conceito de gestão florestal sustentável. Esta imagem advém do modo não destrutivo como a cortiça pode ser explorada sem prejuízo do rendimento, e cujos impactos nos ecossistemas podem ser quase nulos. Os impactos desta actividade resumem-se assim à ameaça cada vez mais forte do fogo, perante a qual apenas uma solução surge como viável aos proprietários: a limpeza total do mato para reduzir a biomassa combustível. Esta intervenção acarreta, no entanto, impactos negativos para biodiversidade que não se encontram ainda clarificados, e cuja gravidade é variável. A Serra do Caldeirão consiste quase integralmente num maciço florestal dominado por sobreiro (Quercus suber) e representa talvez um dos melhores exemplos em Portugal desta formação vegetal, pelo menos antes dos inúmeros incêndios que sofreu recentemente. A vasta riqueza que este facto representa não é, obviamente, desperdiçada, sendo quase impossível encontrar na Serra um sobreiro que não seja descortiçado com regularidade, mesmo nos locais mais inacessíveis. A exploração da cortiça é, pois, a actividade típica por excelência da Serra do Caldeirão e isso tem algumas implicações nos seus habitats naturais: toda a Serra é, de uma forma ou de outra, gerida no sentido de maximizar a rentabilidade da produção de cortiça. Cada proprietário tem uma perspectiva diferente sobre a forma como o terreno deve ser gerido mas, de um modo geral, a maior parte das propriedades são desmatadas com regularidade, como medida de prevenção de incêndios, geralmente um ou dois anos antes de ser retirada a cortiça, o que significa uma vez de dez em dez anos, embora nalguns casos seja mais frequente. Por outro lado, a forma como as desmatações são efectuadas depende não só do proprietário, mas também das condições físicas do local, já que em algumas partes da Serra os declives são muito acentuados, impossibilitando diversas acções de maneio dos matos. Nestes casos, por exemplo, é prática comum a desmatação ser reduzida a uma rede de caminhos, designada de “ruas”, a qual dá acesso à maioria dos sobreiros a partir de um caminho principal. Todos estes factores, quer humanos, quer naturais (e.g., declive, exposição), e aos quais devemos ainda juntar o fogo – elemento que, embora natural nas regiões mediterrânicas, apresenta actualmente uma frequência exagerada devida a acção humana – são elementos chave na dinâmica da vegetação espontânea da Serra, determinando, em conjunto, o mosaico heterogéneo que esta apresenta. Neste contexto, são propostas soluções de gestão florestal aplicáveis ao caso concreto, mas não particular, das florestas de sobreiro da Serra do Caldeirão, que sejam compatíveis quer com a manutenção da rentabilidade da extracção da cortiça, quer com a manutenção do valor ecológico das mesmas; idealmente, com o incremento de ambos os parâmetros geralmente antitéticos. O factor chave do problema parece ser o fogo, que é o incentivador principal de todas as acções de gestão de matos que têm lugar na Serra, sendo, por conseguinte, o gerador deste conflito. Com este objectivo foi efectuada a caracterização biológica, florestal, económica e histórica de um conjunto de parcelas com diferentes regimes de limpeza de matos, estrategicamente distribuídas na área de intervenção da Associação de Produtores Florestais da Serra do Caldeirão e sua envolvente foi realizada através de diversas metodologias adequadas a cada tipo de dados a recolher, todas aplicadas na unidade de amostragem, uma parcela de um hectare. A caracterização biológica compreendeu quatro principais grupos de organismos – plantas vasculares, macrofungos, borboletas e aves – que foram tomados como indicadores de biodiversidade. Cada grupo teve a sua metodologia de amostragem específica, a qual visou quantificar presenças e abundâncias das espécies de cada um. A caracterização florestal consistiu no protocolo tradicional para inventários florestais e visou caracterizar tão bem quanto possível a estrutura e densidade das árvores, nomeadamente o sobreiro. Nesta categoria foi também estimado o risco de incêndio através de uma bateria de medidas relacionadas com a biomassa combustível. A caracterização económica compreendeu a quantificação da produtividade potencial dos produtos florestais secundários (cogumelos, medronho, mel, caça) nas parcelas. Por último, a caracterização histórica baseou-se quer na análise de uma série cronológica de fotografia aérea desde o ano de 1958, quer em entrevistas realizadas aos proprietários com vista a apurar o regime de limpezas de mato que ocorreu em cada parcela, bem como outras acções efectuadas e outros eventos ocorridos. Nestas entrevistas foi também recolhida informação relativa à rentabilidade da extracção da cortiça. Projecto financiado pelo Programa AGRO, Medida 8.1.
Palavras-chave em Português: Serra do Caldeirão, sobreiros e sobreirais, Quercus suber, biodiversidade, recursos florestais, gestão da vegetação arbustiva, desmatação e risco de incêndio, limpeza de matos: técnicas para uma gestão sustentável, gestão florestal, Serra Algarvia

Detalhes
Tipo:
Brochura/Folheto

Áreas temáticas:
Ciências Biológicas, Ciências Agrárias e Desenv. Rural, Ciências e Tecnol. do Ambiente
Ano publicação/produção:  2008
Número de páginas:
 42

Preço:  0 €

Formato:
 pdf
Tamanho:
 9,6 Mbytes

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